segunda-feira, setembro 05, 2005

"A DIREITA E A CULTURA" EM SETEMBRO NO TEATRO S. LUÍS

1. A escolha do tema "A Direita e a Cultura" para a próxima sessão das "Noites à Direita. Projecto liberal" não foi inocente. Assumimos a provocação. Mais do que debater a presença do Estado na Cultura em Portugal ou a discutível relação entre os poderes públicos e os agentes culturais no nosso país – que serão certamente temas centrais em debate –, quisemos trazer a discussão sobre a Cultura para um espaço político e ideológico onde ela raramente se verifica – o espaço da Direita. Não foi certamente por acaso que se generalizou na linguagem portuguesa a designação "intelectual de esquerda" – como se não existissem igualmente intelectuais de direita ou se tratasse a Cultura de uma espécie de condomínio fechado, reservado apenas à Esquerda. A verdade é que existem intelectuais de Direita – sempre existiram, ao contrário do que muitos possam acreditar – e a Cultura não é uma coutada da Esquerda.

2. Muitos comentadores e críticos culturais de esquerda baseiam-se neste tão extraordinário como falso pressuposto: para eles, a Cultura não pode ser de Direita porque “é um conceito de Esquerda”. Para eles, a única área cultural em que a Direita manifesta alguma preocupação, quando ocupa funções executivas, é a do património edificado ou histórico, sendo apenas sensível à arte sacra, à pintura, à literatura e à música dos “clássicos”. Para eles, os políticos e as personalidades de Direita desconfiam das "artes vivas", como o teatro, as artes plásticas, a dança ou o cinema – para citar apenas opiniões expressas em artigos publicados na imprensa portuguesa. Falta saber – e é importante discutir –, se em grande parte não cabe à Direita, ou a quem se afirma como tal, a responsabilidade pela larga difusão e aceitação de todos estes lugares-comuns. Se não é a própria Direita que se tem esquecido de pensar a Cultura; se não é quem é de Direita que se tem esquecido de intervir culturalmente.

3. Não é fácil hoje em Portugal acumular o estatuto de intelectual ou agente da Cultura e a opção política de Direita. Mais: parece estar na moda ser de Esquerda e um intelectual de direita é quase olhado como se tratasse de uma espécie rara. Pode um intelectual, um cronista, um académico, um poeta, um pintor, um músico ou um jornalista assumir-se claramente de Direita sem por isso ser alvo da desconfiança de algum pensamento politicamente correcto? Ou, por outro lado, será que a Direita soube ao longo das últimas décadas aproximar-se daqueles que, estando situados politicamente à direita, conseguem ser simultaneamente autores ou agentes da Cultura em Portugal? Tudo indica que a resposta é negativa para ambas as questões.

4. Vulgarizou-se a ideia de ser cada vez mais necessário um “combate cultural” à Direita, assumindo-se publicamente que foi a quase total ausência desse mesmo combate que conduziu a Direita a recentes e severas derrotas políticas e eleitorais. Concordamos com esta opinião, mas defendemos também que a absoluta necessidade de um combate cultural protagonizado pela Direita não pode reduzir-se a meros cálculos oportunísticos ou de ocasião eleitoral. O combate, a batalha, ou mais prosaicamente o debate e a discussão à Direita sobre a Cultura é uma obrigação de quem, como nós, sabe como é importante pensar um País que precisa, mais do que nunca, de projectos e de ideias motivadoras para o futuro.

5. É por tudo isto que lançamos este tema para discussão no próximo dia 22 de Setembro, no Teatro S. Luís. Porque acreditamos sinceramente que em Portugal existem cada vez mais pessoas que se revêem numa Direita que sabe ouvir e quer discutir com quem tem espírito independente, seja de Esquerda ou de Direita, para poder avançar com novas propostas. Contamos consigo e com a sua intervenção.

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NOITES À DIREITA*projecto liberal

DIA 22 DE SETEMBRO, PELAS 20H30, NO TEATRO S. LUÍS

"A DIREITA E A CULTURA"

ANTÓNIO MEGA FERREIRA. PEDRO MEXIA. RUI RAMOS

CONTAMOS COM A INTERVENÇÃO DE TODOS.

2 Comments:

Blogger Paulo Pisco said...

Não vejo a cultura como uma questão de esquerda ou direita no entanto, não deixo de reconhecer que em Portugal- e na Europa fundamentalmente no continente Europeu, os Ingleses são diferentes neste aspecto - a palavra esquerda se colou a cultura. Ou seja, tudo o que não é de esquerda é "grunho" ou pior. Dai que seja louvável tentar desmontar tão abusiva colagem.
Espero lá estar dia 22.

10:00 da tarde  
Blogger Pedro Oliveira said...

Também eu...

1:54 da manhã  

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