terça-feira, julho 05, 2005

Direita cosmopolita (ou por que razão preferimos um indiano trabalhador a um português parasita)

HENRIQUE RAPOSO

1.Qual é uma das grande preocupação dos liberais? Resposta: a criação de regimes políticos cosmopolitas. Por isso, os liberais serão sempre inimigos daqueles que insistem em produzir derivas identitárias, nacionalistas, racistas. É verdade que todos os povos têm direito à sua memória, às suas tradições, à sua vida em comunidade. Mas isso não pode excluir os indivíduos de outras tradições, de outras comunidades.

2. O Liberalismo Clássico tem como ponto de partida o indivíduo. Portanto, a tradição não está acima do indivíduo. A tradição não pode ser imobilizada e sacralizada. Não existe uma Ideia que pensa por nós… O apelo à tradição deixa de ser legítimo quando subalterniza os indivíduos e quando exclui o outro, o estrangeiro, aquele que não pertence ao sacrossanto (e reaccionário) Nós. O Direita Liberal prefere um indiano trabalhador a um português parasita.

3.Os liberais lutarão sempre por regimes constitucionais que garantam a entrada de estrangeiros. O estrangeiro deve ter os mesmos deveres e direitos do nacional. Um regime liberal baseia-se no primado do indivíduo e na igualdade universal perante a lei. Queremos um Portugal que coloque um indiano a par do português. São ambos indivíduos iguais perante a lei. O Direita Liberal prefere um chinês honesto a um português desonesto.

4. O Liberalismo clássico assenta numa noção de dignidade humana, situada a montante de todos os indivíduos, sejam eles portugueses, indianos ou esquimós. O Direita Liberal prefere um esquimó com vontade de trabalhar a um português com o hábito do encosto.

5 Comments:

Blogger Ricardo Alves said...

Não sou nem de direita nem liberal, mas gostei do artigo.

4:45 da tarde  
Blogger T. M. said...

Gostei do artigo, Henrique. Acho optimo esclarecer bem o que se entende por essa palavrinha magica. E sobretudo perceber que o (ab)uso que alguns na blogosfera fazem disso nao ajuda nada 'a "causa liberal" - nome algo paradoxal, mas enfim.

4:55 da tarde  
Blogger ANC said...

Subscrevo o artigo.Sou, e sempre fui, sem estigmas, assumidamente de direita. Todavia, liberal sim, porém conservador também!!! É evidente, ou pelo menos deveria ser, que todos devem ser tratados com dignidade independentemente da cor, raça, nacionalidade e enfim todas as outras características que nos diferenciam como povos e nações.
Mas, questiono-me, por vezes, como de resto, porventura outros também, se não deveríamos ser um pouco mais proteccionistas dos "nossos", daquilo que é português-e não se confunda proteccionismo com nacionalismo- sem que com esta atitude nos tornemos em "absolutistas e saudosistas recorrentes"?!

1:09 da tarde  
Blogger JMTeles da Silva said...

Pelo menos, até aqui, estou convosco. A ver vamos. Abraço.

1:16 da tarde  
Blogger fernando sanches de miranda said...

Excelente artigo.
Sugiro apenas, que numa campanha feita à população, não se utilizasse os termos "português" ,"indiano",etc., porque nos recordam ambientes aonde impera o compadrio e a protecção de individuos, classes ,castas, independentemente do seu mérito.
Sem nunca negar raíses culturais, devemos valorisar mais a postura transcultural.

10:09 da manhã  

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