terça-feira, setembro 20, 2005

"Noites à Direita" n' O Independente

Cultura À Direita

MANUEL FALCÃO

A opinião dominante entre boa parte da Esquerda é a de que a Direita é uma espécie de reserva ecológica de trogloditas em matéria cultural. E, em contrapartida, uma boa parte da Direita acha que a Esquerda só defende o que é incompreensível e apenas vive porque há subsídios. Enquanto o debate continuar neste pé a coisa dificilmente passará do estado pré-histórico. Por isso mesmo há questões a discutir sem preconceitos: o Estado deve cingir-se à manutenção do património , ou deve também fomentar e suportar a criação artística? A cultura tem que ser uma actividade lucrativa? Podemos ou não alargar os incentivos fiscais nesta área? Devemos investir mais na criação de públicos ou na produção de obras? Como pode a criação ser fomentada? Qual o papel das autarquias neste quadro – devem ser complementares da Administração central ou devem ser alternativas?
A resposta a algumas destas perguntas é estruturante na definição de políticas culturais, um panorama que raramente tem sido debatido com seriedade. Peguemos no exemplo britânico do Arts Council e do seu programa «Own Art», um incentivo à compra de arte contemporânea de novos artistas, que garante empréstimos sem juros, de curto prazo, para a aquisição de pintura e escultura. De uma assentada fomenta-se o mercado, cria-se um canal de venda para artistas em começo de carreira, dá-se mais circulação de obras às galerias associadas e cria-se um novo hábito em novos públicos. Será este um caminho?
No regresso das «Noites à Direita» o debate é sobre política cultural e à mesa vão estar António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos. É dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz - e o melhor é não ter ideias feitas.

Publicado na última edição do semanário "O Independente" e no blogue "A Esquina do Rio"

1 Comments:

Blogger Pedro said...

Antes de nos cingirmos á discussão da cultura, é importante ter a noção de que uma nação, qualquer que seja, deve garantir o sucesso em várias etapas económico-sociais. Como faz o próprio ser humano. Garantindo a segurança, a sobrevivência, a sociabilidade, e só depois o status e o prestígio.
Na minha modesta opinião, "Portugalzinho" ainda não atingiu nenhuma das primeiras, quanto mais ser capacitado para encarar o investimento em cultura de forma avançada. O diminutivo serve precisamente para traduzir a forma de estar do país e da postura das pessoas que o habitam.
Os brados em relação ás soluções são mutios e os temas a discutir desmesurados, gastam-se rios de tinta, perde-se a razão e apela-se á arrogância. Como diz o autor do artigo existe esse ódio de estimação baseado em crenças fiéis a doutrinas sociais e em críticas mútuas em relação á atitude face á cultura. Uma lenga-lenga cansativa e letárgica!
Hoje li uma frase, e perdoem-me o despropósito: "Algum desgosto prova muito amor, mas muito desgosto revela muita falta de espirito", William Shakespeare.
O espírito onde está!? Quem ensina ás crianças que ser curioso, empreendedor, trabalhador, prestável e educado traz frutos, não só para eles próprios mas para todos os que os rodeiam.
Para acabar um episódio curioso que se pode aplicar metafóricamente. Há uns dias liguei a televisão num canal estrangeiro, e para meu espanto estava em branco, vazio, com a seguinte mensagem: "Desligue a televisão e vá ler um livro". Conselho sábio, que se pode aplicar fácilmente à histeria dos dois lados. Desliguem a discussão frenética e parem cinco minutos para pensar que um caminho se precorre com segurança, passo a passo. a carteira da escola pode ser um bom princípio, a revolução Liberal Alemã demorou oitenta anos a consumar-se!

4:12 da tarde  

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